Agora acadêmico de direito diz que homossexualidade leva a morte; vereador Flávio Vicente “curte”

Depois de ter equipara a decisão do STF sobre casamento gay com bovinos, agora o acadêmico de direito Juarez Firmino diz que homossexualidade “leva a morte”. O vereador de Maringá Flávio Vicente (PDMB) “curtiu” a publicação de Firmino sobre homossexualidade no Facebook.

» Juarez Firmino equipara decisão do STF sobre casamento gay com bovinos

“Cheguei do culto, o pastor Marcelo Gomes, disse: o povo de Deus é que estanca a iniquidade, tire-os deste mundo por qualquer tempo e veja o que aconteceria. A maldade assola nosso mundo só não é maior por causa da forma de viver daqueles que são crente em Deus, temos que fazer a diferença onde vivemos, o exemplo de cristão tem mais resultado do que palavras. O homem já nasce com o senso de certo e errado, porém no decorrer da vida se corrompe pela adoração de falsos deuses, prostituição, infidelidade, corrupção, dinheiro, poder, orgulho, vaidade, homossexualismo, tudo isso leva a morte”, disse Firmino.

Na semana passado Firmino disse que “se isto for aprovado [casamento gay], podemos dizer que a união de um ser com seu animal de estimação também é família, se alguém quiser constituir uma família com uma vaquinha ou um boizinho deverá ser respeitado”.

Firmino estuda na Unifamma (Faculdade Metropolitana de Maringá), se formou em Ciencias Contabeis na UEM (Universidade Estadual de Maringá) e já foi candidato a vereador de Maringá.

Os homofóbicos matando no Irã

Dois adolescentes gays foram executados publicamente no Irã, onde a homossexualidade é considerada crime.

Um dos jovens tinha 18 anos e ou outro era menor de idade. Os dois foram enforcados em 2005, na Praça da Justiça da cidade de Mashhad, nordeste do Irã.

A Justiça iraniana é baseada na lei islâmica, que estabelece a pena de morte para o sexo gay. Os dois adolescentes admitiram ter mantido relações sexuais quando o mais velho tinha 16 anos, mas pediram clemência, alegando que essa é uma prática comum entre jovens e que eles desconheciam a punição.

Antes de serem executados, os dois ficaram presos por 14 meses. Na terça-feira, receberam 228 chibatadas cada um.

Rohollah Rezazadeh, advogado do garoto mais novo, apelou dizendo que seu cliente era muito jovem para ser executado. A Suprema Corte do Irã, porém, rejeitou esse argumento.

Cinco homossexuais foram enforcados em 2007 no Irã. O crime que eles cometeram? Amar outros homens. Em julho de 2007, 16 pessoas foram enforcadas no Irã acusadas por “crimes sexuais”, entre eles adultério e práticas homossexuais. Outras 17 pessoas ainda aguardam a execução pelos mesmos crimes.

Os homofóbicos matando no Brasil

Alexandre Ivo Rajão, de 14 anos, morreu em 2010, depois de participar de uma festa. Ele voltava para casa sozinho, quando desapareceu. O corpo foi encontrado horas depois num terreno baldio, com marcas de espancamento e tortura.

O adolescente era ligado ao Grupo LGBT Atitude e voluntário da Parada LGBT de São Gonçalo. No laudo consta que ele foi morto por: 1- asfixia mecânica; 2- enforcado com sua própria camisa; 3- com graves lesões no crânio, provavelmente causadas por agressões com pedras, pedaços de madeira e ferro.

Segundo a polícia, duas ligações ao Disque-Denúncia afirmaram que um veículo de cor branca, com três rapazes dentro, foi visto no local onde o crime teria acontecido. A polícia informou que, segundo as denúncias, os rapazes teriam sequestrado Alexandre no ponto de ônibus.

Três suspeitos foram presos e negaram participação no crime. Um deles seria integrante de um grupo de skinheads, que estaria querendo se vingar.

“Tem um grupo de skinhead ameaçando a gente de morte por a gente ter denunciado um deles pra polícia por ter matado nosso amigo Alê”, contou um amigo de Alexandre na época, quando prestaram uma homenagem ao garoto no dia 27, após sua morte. Alguns colegas de Alexandre dizem que vêm recebendo ameaças de morte por parte de skinheads que perseguem homossexuais na cidade.

Os homofóbicos matando em Maringá

Duas travestis foram assassinadas, em março de 2010, na Avenida Colombo, em Maringá. Elas tinham 26 e 36 anos e foram mortas a tiros, em pontos diferentes da avenida. Testemunhas disseram à Polícia Militar que o crime foi cometido por dois homens que estavam em uma moto. O garupa teria sacado as armas e efetuado os disparos, fugindo em seguida.

As duas travestis estavam a cerca de 300 metros de distância. Edmilson José dos Santos,26 anos, morreu no local. Adélcio Ribeiro Lima, 36 anos, seguiu para o hospital, onde também faleceu. Segundo a polícia, as duas travestis usavam a Avenida Colombo, trecho urbano da BR-376, como ponto para atrair clientes. O crime aconteceu pouco depois das 21h.

Quase dois anos depois, ninguém foi preso e a polícia não tem nenhuma pista do caso.

Resultado parcial da homofobia

O Grupo Gay da Bahia (GGB),divulga o Relatório Anual de Assassinato de Homossexuais de 2010. Foram documentados 260 assassinatos de gays, travestis e lésbicas no Brasil no ano passado, 62 a mais que em 2009 (198 mortes), um aumento 113% nos últimos cinco anos (122 em 2007). Dentre os mortos, 140 gays (54%), 110 travestis (42%) e 10 lésbicas (4%). O Brasil confirma sua posição de campeão mundial de assassinatos de homossexuais: nos Estados Unidos, com 100 milhões a mais de habitantes que nosso país, foram registrados 14 assassinatos de travestis em 2010, enquanto no Brasil, foram 110 homicídios. O risco de um homossexual ser assassinado no Brasil é 785% maior que nos Estados Unidos. Neste ano o GGB outorgou o troféu Pau de Sebo ao Deputado Jair Bolsonaro na condição de maior inimigo dos homossexuais do Brasil, considerando que sua cruzada antigay estimula a prática de crimes homofóbicos.

Fatores interligados

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  • Pesquisas americanas mostram uma relação entre adolescência, homossexualidade e suicídio
  • Jovens gays são de duas a três vezes mais propensos a tentar o suicídio quando comparados a jovens heterossexuais

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Fonte: “Gay Male and Lesbian Suicide”, de Paul Gibson

Ódio na escola
Alunos concordam com as seguintes afirmações:

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  • 26,6%: “Eu não aceito a homossexualidade”
  • 25,2%: “Pessoas homossexuais não são confiáveis”
  • 23,2%: “A homossexualidade é uma doença”
  • 21,1%: “Os alunos homossexuais não são alunos normais”
  • 17,6%: “Os alunos homossexuais deveriam estudar em salas separadas”

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Fontes: Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), em estudo de maio de 2009 realizado em 500 escolas públicas brasileiras

Questão de Sobrevivência
Sugestões para lidar com o bullying :

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  • Há situações em que é melhor não mencionar que você é gay. Se você pressente uma reação negativa, avalie se vale a pena se abrir
  • Em caso de bullying na escola, procure o diretor ou um professor. Denuncie a discriminação. É difícil, mas necessário
  • Ser gay não é bom nem ruim. Não determina caráter.
  • O autopreconceito pode ser pior do que o preconceito dos outros
  • Amigos devem acolher, compreender, aceitar e respeitar sua sexualidade

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Fontes: André Fischer (do portal Mix Brasil, Miguel Perosa (professor de psicologia da PUC-SP, e Alexandre Saadeh (psiquiatra do Hospital das Clínicas)