Número de casamentos LGBT no Brasil cresce 52% em dois anos, diz IBGE

Número de casamentos LGBT no Brasil cresce 52% em dois anos, diz IBGE

UOL

Em maio de 2014, o cabeleireiro Luiz Carlos Sereno, 62, e o designer e maquiador Miguel Sevilla Neto, 69, casaram-se, após 28 anos de relacionamento, em Viamão (RS). A união legal do casal, por tantos anos ansiada, só foi possível por conta de uma determinação do Conselho Nacional de Justiça que, desde 2013, permite que pessoas do mesmo sexo celebrem o casamento civil.

Sereno e Sevilla Neto fazem parte de uma estatística cada vez mais comum na sociedade brasileira, que cresce a cada ano. Segundo as ‘Estatísticas do Registro Civil 2015’, divulgadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quinta-feira (24), foram celebrados 5.614 casamentos civis entre pessoas do mesmo sexo no Brasil no ano passado.

E, ainda que o número corresponda a apenas 0,5% do total de matrimônios ocorridos no país, é 15,7% maior em relação a 2014 e 51,7% em relação a 2013.

Desse total, foram 2.986 casamentos entre mulheres (53,1%) e 2.628 entre homens (46,9%) celebrados em 2015.

Em maio de 2014, o cabeleireiro Luiz Carlos Sereno, 62, e o designer e maquiador Miguel Sevilla Neto, 69, casaram-se, após 28 anos de relacionamento, em Viamão (RS). A união legal do casal, por tantos anos ansiada, só foi possível por conta de uma determinação do Conselho Nacional de Justiça que, desde 2013, permite que pessoas do mesmo sexo celebrem o casamento civil.

Sereno e Sevilla Neto fazem parte de uma estatística cada vez mais comum na sociedade brasileira, que cresce a cada ano. Segundo as ‘Estatísticas do Registro Civil 2015’, divulgadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quinta-feira (24), foram celebrados 5.614 casamentos civis entre pessoas do mesmo sexo no Brasil no ano passado.

E, ainda que o número corresponda a apenas 0,5% do total de matrimônios ocorridos no país, é 15,7% maior em relação a 2014 e 51,7% em relação a 2013.

Desse total, foram 2.986 casamentos entre mulheres (53,1%) e 2.628 entre homens (46,9%) celebrados em 2015.

Segurança legal
“Cada vez mais, pessoas [do mesmo sexo] devem se casar. Todos querem ter uma segurança legal. Porque você leva toda uma vida junto com a outra pessoa, e aí ela morre e vem a família e leva tudo? Não está certo”, afirma Sereno.

O cabeleireiro diz, ressaltando a importância de possuir um regime de comunhão universal de bens com seu cônjuge, que este foi um dos principais motivos que o levou a casar-se com Sevilla Neto. “O casamento é mais pelo caso legal. Uma segurança que a gente passa a ter, por exemplo, em caso de morte de um de nós dois. Serve para dar um amparo”.

A região Sul, onde reside o casal, registrou, em 2015, 857 casamentos entre pessoas do mesmo sexo (15,2% do total). A maior prevalência foi registrada na região Sudeste, com 3.077 registros (54%), ao passo que na região Norte o número foi de 230 (4%). No Nordeste foram 1.047 casamentos (18,6%) e no Centro-Oeste, 403 casos (7,17%).

Entre as Unidades da Federação, São Paulo liderou as estatísticas, com 2.008 matrimônios celebrados (37,5% do total do país) no ano passado.

Casamento entre solteiros prevalece
Entre os casamentos envolvendo mulheres, a união mais comum é entre solteiras, com 77% dos casos. Uniões entre mulheres solteiras e mulheres divorciadas somam 19,4%. Entre os homens, também prevalece o casamento entre solteiros (86,7%) –entre homens divorciados e solteiros, a porcentagem é de 10,9%.

Sexagenários, Sereno e Sevilla Neto atravessaram três décadas de preconceito e ausência de direitos legais como casal homossexual. Ainda que afirme que a sociedade não esteja “preparada” para aceitar o cada vez maior número de casamentos de pessoas do mesmo sexo, Sereno diz ver cada vez mais uma “maior aceitação”. Ao menos em relação a casos como o seu, de um casal formado por duas pessoas mais “maduras”.

“Como hoje tudo é mais exposto, há uma maior aceitação. Eu tenho 62 anos e ele tem 69. Então não tem problema nenhum”, afirma, ressaltando, porém, que “quando perguntam o nome do meu cônjuge e eu respondo ‘Miguel’, as pessoas ainda estranham”.

73% dos jovens LGBT dizem ter sido agredidos na escola

73% dos jovens LGBT dizem ter sido agredidos na escola

Folha de S.Paulo

Uma pesquisa mostrou que 73% dos jovens entre 13 e 21 anos identificados como LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) foram agredidos verbalmente na escola em 2015 por causa da sua orientação sexual. É o maior índice entre outros cinco países da América Latina, onde a mesma pesquisa foi realizada.

A Pesquisa Nacional sobre Estudantes LGBT e o Ambiente Escolar foi realizada no Brasil pela ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), uma rede que reúne 308 organizações pelo país. Levantamento com a mesma metodologia também ocorreu na Argentina, Chile, Colômbia, Peru, Uruguai e México (os dados do México ainda não foram divulgados).

Na comparação com os países vizinhos, os resultados do Brasil no item sobre agressão verbal são seguidos de Argentina (72,1%) e Peru (71,9%). Entre aqueles que sofreram agressões verbais no último ano no Brasil, 22,8% disseram que isso ocorreu “frequentemente” ou “quase sempre”.

O país com menos relatos de agressão verbal entre estudantes LGBT foi registrado no Uruguai. O índice no país ficou em 49%.

Agressões físicas causadas pela forma como os estudantes expressam seu gênero foram relatadas por 24,6% dos jovens brasileiros ouvidos pela pesquisa. Neste item, o maior percentual foi identificado na Colômbia, com 42,5%.

No Brasil, foram ouvidos 1.016 estudantes pela internet entre dezembro de 2015 e março de 2016. O questionário foi disponibilizado por meio de grupos comunitários LGBT, mídias sociais voltadas para esse público, além de sites de organizações parceiras, órgãos estudantis, sindicatos, instituições nacionais e locais ligadas à educação e aos direitos humanos.

INSEGURANÇA

Para estudantes com orientações sexuais diferentes da heterossexual, a escola não é um ambiente tranquilo. Cerca de 60% dos estudantes brasileiros que participaram do levantamento dizem se sentir inseguros na instituição educacional por causa de sua orientação sexual. Dentro da escola, os ambientes em que o medo é maior é no banheiro (37,4%) e nas aulas de educação física (36,1%).

Hoje na universidade, o estudante Lucas Siqueira Dionísio, 21, não tem boas memórias do tempo de escola. “No tempo em que eu comecei a me aceitar, na 6ª série, fui rotulado como gay afeminado e não era aceito. Só tinha um amigo”, diz ele, que sempre estudou em escolas públicas na cidade de Cornélio Procópio, interior do Paraná.

“Por dois anos eu chorava todos os dias e não queria ir para a escola. A gente passa mais tempo na escola do que em casa, conhece o mundo dentro da escola. E esse mundo que eu conhecia eu não queria viver”, diz.

Segundo ele, o assédio e “piadinhas” se estenderam por todas as séries finais do ensino fundamental. “No ensino médio virou agressão física, foi bem pior”. Dionísio participou da pesquisa e da coleta de relatos dos jovens. “Muitos do que eles falavam faziam eu lembrar a minha experiência na escola.”

Mesmo com a alta frequência de agressões, mais da metades dos jovens ouvidos (53,9%) dizem nunca ter presenciado a intervenção de profissionais da escola quando houve comentários “LGBTfóbicos”. Para 56,9%, questões ligadas ao tema nunca foram abordadas nas aulas -outros 16,7% dizem que houve a abordagem, mas de modo negativo.

Apesar disso, a maioria dos estudantes (88,1%) conseguiu identificar pelo menos um integrante da equipe escolar que acreditava ser acolhedora de estudantes LGBT. O estudo mostra que 60,9% dos jovens se sentem à vontade de conversar com os professores sobre isso.

O diretor de Educação da AGLBT, Toni Reis, ressalta que a “LGBTfobia” é ignorada no ambiente escolar, o que limita o sucesso da escola na sua missão de desenvolvimento humano. “Há um silenciamento e individualização por parte da escola. As pessoas veem e não querem tratar do assunto. Tratam como se as agressões fossem normais, coisa de adolescente. Mas isso magoa, chateia a causa até suicídio”.

Estratégias para combater a desigualdade de gênero foram retiradas da maioria dos planos de educação estaduais e municipais, desenvolvidos nos últimos dois anos. O mesmo já havia ocorrido com o PNE (Plano Nacional de Educação), sancionado em 2014. Em todos os casos, houve pressão de bancadas conservadoras e grupos religiosos.

Para Reis, os professores têm medo de tratar do assunto e mexer com a cultura estabelecida. “O problema é a intolerância, mas o que precisamos pregar é o respeito”, diz.

Os resultados da pesquisa serão apresentados nesta terça-feira (22) em audiências públicas no Congresso Nacional. A AGLBT vai propor um conjunto de ações relacionadas ao combate da “LGBTfobia”. Entre elas estão alterações na formação inicial dos professores, campanhas contra violência e premiações a boas práticas.

Além disso, o grupo planeja intensificar o ingresso de medidas judiciais para responsabilizar governos e escolas particulares nos casos graves de agressão.
Na América Latina, a realização da pesquisa nos seis países foi coordenada pela ONG Chilena Todo Mejora, enquanto a rede GLSEN (Gay, Lesbian & Straight Education Network), dos Estados Unidos, proporcionou apoio técnico. No Brasil, além da ABGLT, o estudo teve apoio do Grupo Dignidade e da Universidade Federal do Paraná.

Outro parceiro na divulgação foi a Rede Globo, que mantém desde o meio deste ano a plataforma “Tudo começa pelo Respeito”. Além de articular a promoção de temas ligadas ao direitos humanos em todos os produtos da emissora, a plataforma ainda reúne uma série de vinhetas que trata de tolerância e respeito.

Os vídeos têm sido vinculados nos intervalos da grade da TV Globo. “Nosso trabalho é articular com essas organizações que tratam desses temas e colocar o foco certo nessas questões, como ocorre agora com a homofobia”, diz a diretora de responsabilidade social da Globo, Beatriz Azeredo.

Prefeita renuncia após post racista contra Michelle Obama

Prefeita renuncia após post racista contra Michelle Obama

A prefeita da cidade americana de Clay, Beverly Whaling, renunciou ao cargo após ter elogiado no Facebook um texto chamando a primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, de “macaca de salto alto”. A mensagem havia sido escrita por Pamela Ramsey Taylor, diretora do Escritório de Desenvolvimento do Condado de Clay, e comentava a eleição do republicano Donald Trump como presidente. “Será revigorante ter de novo na Casa Branca uma primeira-dama elegante, bonita e digna. Estou cansada de ver uma macaca de salto alto”, escreveu Taylor sobre a esposa do magnata, Melania.

Em seguida, Whaling comentou: “Você me fez ganhar o dia, Pam”. Clay, no estado da Virgínia Ocidental, tem uma população de menos de 500 pessoas, das quais nenhuma é negra. Além disso, o município votou em peso por Trump na eleição de 8 de novembro. Tanto o post original de Taylor quanto o comentário da agora ex-prefeita foram removidos, mas não rápido o suficiente para evitar uma onda de indignação. Ambas se desculparam, alegando que não tinham a intenção de ser racistas, apenas comemorar a mudança na Casa Branca.

Um membro da Câmara Municipal de Clay, Jason Hubbard, divulgou uma nota condenando a mensagem “horrível” e destacando que a “intolerância racial” não faz parte da cidade. Ao renunciar, Whaling disse estar sendo vítima de ameaças de morte e que o condado de Clay fracassou em garantir sua segurança.

Veja com informações da ANSA

Bolsonaro deixará o PSC e negocia candidatura à presidência por outro partido

Bolsonaro deixará o PSC e negocia candidatura à presidência por outro partido

O deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) está mesmo empenhado em concorrer à Presidência da República em 2018. Já faz campanha aberta, quase dois anos antes do prazo permitido por lei, e tem até slogan provisório: “Vamos endireitar o Brasil”, um trocadilho para reafirmar sua posição política. Mas sua candidatura não será mais pelo Partido Social Cristão. Ele rompeu com o presidente do PSC, pastor Everaldo Pereira, que foi candidato ao Planalto em 2014, assustou dirigentes da sigla com seu radicalismo político e já negocia sua filiação a outras legendas.

O parlamentar já conversou com dirigentes e parlamentares de várias siglas. Entre elas, o PR, o PRB do prefeito eleito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, e até o DEM, do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ). Os partidos estão de olho no potencial de votos do deputado para cumprir a cláusula de desempenho que um partido deve ter para poder existir, projeto que deve ser aprovado no Congresso para valer já na próxima eleição.

Há várias semanas Bolsonaro não conversa com a direção do PSC. Há um constrangimento no partido com o estilo agressivo do parlamentar e com o processo que ele responde no Supremo Tribunal Federal (STF) por apologia ao estupro. O próprio Everaldo reconhece que o deputado é difícil no trato pessoal e político, mas alega que Bolsonaro defende as mesmas ideias de gestão pública pregadas pelo PSC e por isso era bom para o partido e seu eleitorado conservador e religioso.

Majoritariamente evangélico, conservador quanto ao comportamento e liberal nas teses econômicas, o PSC apostava todas as suas fichas no potencial do polêmico parlamentar para melhorar seu desempenho eleitoral. Em uma jogada de marketing, o pastor Everaldo chegou a levar o deputado, que é católico, para ser batizado no Rio Jordão, em Israel. Mas nem mesmo o batismo no local histórico impediu o racha.

AMLGBT critica governo Temer por congelamento de investimento e “reforma” na educação

AMLGBT critica governo Temer por congelamento de investimento e “reforma” na educação

Em nota, a AMLGBT (Associação Maringaense de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), criticou o governo Michel Temer, pela retirada das disciplinas de Artes, Educação Física, Filosofia e Sociologia no Ensino Médio, e pelo congelamento de gastos públicos, como saúde e educação.

Leia abaixo a nota:

A AMLGBT, Associação Maringaense de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, manifestamos nosso mais profundo repúdio em relação à Medida Provisória (MP), Nº 747/2016, que trata da Reforma da Educação, a qual entendemos representar um retrocesso e uma forma de silenciamento de uma Educação crítica, emancipatória e cidadã.

Uma MP como essa que pretende, entre outras coisas, congelar o sistema educacional por 20 anos, deixando ainda mais precárias as instituições de ensino e a não obrigatoriedade das disciplinas de Artes, Educação Física, Filosofia e Sociologia, tendo por possibilidade uma pessoa lecionar via “notório saber” no lugar de pessoas graduadas, soa como ecos de um passado militaresco e ditatorial.

A MP Nº 747/2016, caso seja aprovada, compromete a formação cidadã e mais humana de estudantes, o que implica diretamente em políticas públicas já conquistadas dentro e fora do sistema educacional no tocante às diversidades todas. Para além disso, a AMLGBT se solidariza às ocupações dos colégios paranaenses e de todo Brasil como resposta à MP, deixando aqui um canal aberto para diálogos e apoios.

“Quem não se movimenta, não sente as correntes que o prendem” (Rosa de Luxemburgo).

Por uma educação livre de preconceitos a todas as pessoas.

Maringá, 13 de outubro de 2016.

Depois de perder eleição, Brito é cotado para Secretaria de Assistência Social e Cidadania de Barros

Depois de perder eleição, Brito é cotado para Secretaria de Assistência Social e Cidadania de Barros

A versão maringaense de Marco Feliciano, Luciano Brito (SD), não conseguiu se reeleger como vereador mas estaria sendo cotado para assumir uma secretaria em uma eventual administração Silvio Barros (PP).

>> AMLGBT acusa Luciano Brito de incitar o ódio e criar clima de “guerra santa”

Em troca de apoio para o segundo turno, Barros confirmou ex-vereadores e lideranças partidárias como secretários e diretores da prefeitura. Brito estaria sendo cotado para assumir a Secretaria de Assistência Social e Cidadania de Barros de Maringá.

Brito fez 2.525 mas não conseguiu se reeleger. O vereador ficou conhecido por sua postura contraria as pautas do movimento LGBT de Maringá.

Documentário de alunos do UniCesumar fala sobre transfobia

A transfobia é um assunto delicado e que precisa ser debatido. Segundo pesquisa da ONG Transgender Europe (TGEU), publicada em 2015, o Brasil é o país que mais mata transexuais no mundo. Somente entre janeiro de 2008 e março de 2014, foram registradas 604 mortes no país. E o número de violência contra a comunidade LGBT só aumenta.

Segundo dados do Relatório sobre Violência Homofóbica no Brasil de 2012, publicado pela então Secretaria de Direitos Humanos, houveram 3.084 denúncias de violações relacionadas à comunidade LGBT, envolvendo 4.851 vítimas, ou seja, foram 27,34 violações de direitos humanos em caráter homofóbico por dia, somente em 2012, um aumento de 166% em relação ao ano anterior.

A reportagem “Precisamos falar sobre transgênero” faz parte do projeto “Igualdade: iguais em nossas diferências”, tema do projeto integrador 2016 dos cursos de Comunicação Social (Publicidade e Propaganda e Jornalismo) da Unicesumar.

Alunos: Maria Eduarda Martins, Laryssa Cunha, Nayara Sakamoto, Renato Crozatti e Dee Freitag

Há muito a Temer: o novo governo e os direitos LGBT

Há muito a Temer: o novo governo e os direitos LGBT

Daniel Cardinali

Com a concretização do esperado afastamento da Presidente Dilma Rousseff pelo Senado Federal, por confortável margem de votos, o PMDB chega pela terceira vez à Presidência do Brasil sem nunca ter sido eleito para ocupar tal cargo. Neste cenário, questiona-se o que o se pode esperar do novo governo Temer em relação aos direitos LGBT.

Antes de mais nada, é preciso não romantizar a atuação de Dilma no tema. Cabe lembrar que a eleição presidencial de 2010 teve como epicentro a questão do aborto, com José Serra e Dilma se enfrentando para saber qual dos dois tinha uma posição mais conservadora na matéria, com o objetivo de agradar o eleitorado religioso e seus homofóbicos representantes políticos. Já eleita, a primeira mulher a ocupar o Palácio do Planalto suspendeu o programa “Escola sem Homofobia”, alegando que seu governo não faria “propaganda de opção sexual”. Tratava-se de uma concessão à bancada evangélica, para tentar salvar o então Ministro Palocci de ter de explicar sua evolução patrimonial. No final, caíram ambos, o ministro e o programa. A primeira reunião da Presidente com representantes do movimento LGBT organizado, com direito a sorrisos e foto com a bandeira do arco íris, aconteceu apenas no reboque das manifestações de Junho de 2013, em razão de uma necessidade contextual. Enquanto na politica ordinária se fazia todo o tipo de concessão aos mais atávicos conservadorismos, os movimentos sociais – o movimento LGBT entre eles – foram fiéis escudeiros do governo do PT em suas horas mais difíceis. Basta ver a quantidade de bandeiras do arco íris quebrando o vermelho nas manifestações contra o impeachment. As medidas de última hora para tentar pintar uma imagem mais à gauche dos seus últimos momentos, que envolveu o decreto para garantir o uso do nome social na administração federal, embora possam trazer ganhos concretos, devem ser entendidos dentro desta lógica de política autointeressada.

Significa dizer que estaremos melhores com Temer? Não, muito pelo contrário. O governo que se inicia anuncia tempos temerários para o avanço das pautas progressistas e defesa dos direitos das minorias. Embora o próprio Temer ainda não tenha dado nenhuma declaração expressa sobre a diversidade sexual, podemos presumir que o motivo para tanto é que este não o tipo de assunto para se comentar “à mesa”. A fleuma antiquada e a aura aristocrática não são os únicos atributos oitocentistas de Temer, já que seu projeto de poder pretende ser uma espécie de inversão de JK para nos fazer retroceder “50 anos em 5”.

A simbologia de se substituir a primeira presidente mulher do Brasil, perseguida e torturada na ditadura militar, por um homem que sempre orbitou as velhas instâncias de poder do “rouba mas faz” não poderia ser mais clara. Incomodou-se Temer com a posição de “vice decorativo”, sem dúvida pelo papel emasculante de tal posição, afinal, o papel de bibelôs serve às mulheres. Por favor, não ousem achar que possam ser melhores que meros colírios ornamentais, parnasianos e acéfalos, para os olhos sedentos dos varões deste Brasil varonil, que se pavoneiam de ter sob seu domínio a rés bem marcada, “bela, recatada e do lar”.

A equipe ministerial anunciada diz bem o lugar que a mulher deve ocupar na política. Nenhum. Desde a ditadura militar – inclusive em parte desta – todos os governos tiveram ministras mulheres. Para Temer mulher não presta para gerir o país, só serve para tirar as botas do seu macho e massagear-lhe os calos após um dia de trabalho, parece. É importante notar, por exemplo, que, enquanto Pedro Paulo, candidato à prefeitura do Rio que agrediu fisicamente sua ex-mulher em mais de um episódio, ao menos demonstra o cinismo de buscar uma vice-prefeita, Temer não buscou sequer tentar apaziguar o desconforto provocado pela matéria da Veja na formação da sua equipe ministerial. Pelo contrário, fez questão aqui de marcar uma posição.

E não ter mulheres não é o único demérito da tal equipe ministerial que vai fazer a nossa ponte para um futuro que parece estranhamente familiar com o passado. O Ministro da Educação é do DEM, partido responsável pela ação judicial que questionou o programa de cotas universitárias no STF; o Ministro da Justiça é responsável por maquiar o extermínio de jovens e negros que a policia de São Paulo produz e por um discurso de criminalização galopante dos manifestantes políticos; o Ministro da Agricultura, a bem da verdade, não muda muita coisa, continua o na pasta o grande latifúndio, embora agora tenha a decência de ser representado por um homem. Isso para não falar dos investigados na lava jato que levaram de brinde o chamado “foro privilegiado” no STF.

Veja bem, não é que a pauta dos direitos das minorias não seja prioritária para o novo governo, que o foco esteja na economia. Trata-se de uma ilusão superficial, a pauta é sim primordial, mas para que se produza o seu retrocesso. A extinção das pastas ligadas aos direitos humanos, igualdade racial e políticas de gênero representa bem o tipo de importância que o governo Temer reserva aos assuntos. Na surdina, com certeza, será mais fácil dissolver os avanços sociais a duras penas conquistados.

Cabe lembrar, ainda, como Temer chegou à cadeira que ora conspurca, abraçado umbilicalmente em Eduardo Cunha, autor dos projetos de lei do dia do orgulho heterossexual e da criminalização da “heterofobia”, apenas para ficar em dois exemplos de seu obscurantismo. O show de horrores que foi a votação na Câmara, em que a defesa da família patriarcal e tradicional atingiu níveis folclóricos, dá um indicativo de que tipo de interesse e projeto de poder vai cobrar a conta de Temer quando chegar a hora. Afinal de contas, se Temer alcançou o que jamais conseguiria pelo voto popular, o fez em função da ferrenha atuação dos maiores opositores dos direitos LGBT no congresso nacional, que saberão cobrar bem pelo papel central desempenhado. Isso para não falar da atuação patética da FIESP e das elites do “o aeroporto ‘tá virando rodoviária”, que prometem retrocessos trabalhistas e sociais.

Avizinham-se, portanto, tempos difíceis para todos aqueles que acreditam num Brasil mais tolerante e mais igualitário. Não se trata mais apenas de denunciar a falta de avanços, mas do risco concreto de retrocessos. Parece que as grandes novidades do novo governo, sobre as quais a mídia já faz questão de tecer loas sebastianistas, vêm estranhamente requentadas e com cheiro de mofo, e seremos nós a comer este pão bolorento que o diabo amassou.

Publicado originalmente no site Os Entendidos

Maringá tem 8 candidatos a prefeito mas apenas 3 apresentam programa LGBT

Maringá tem 8 candidatos a prefeito mas apenas 3 apresentam programa LGBT

Dos 8 candidatos a prefeito de Maringá, apenas 3 apresentaram no programa de governo proposta para a população LGBT de Maringá. Humberto Henrique (PT), Investigador Nilson (PSOL) e Priscila Guedes (PSTU), foram os candidatos que lembraram dos LGBT.

No programa de governo dos candidatos Flavio Vicente (Rede), Herculano Ferreira (PTdoB), Silvio Barros (PP), Ulisses Maia (PDT) e Wilson Quinteiro (PSB), não consta nenhuma proposta para a população LGBT, e nenhuma vez a sigla LGBT ou as palavras lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais aparecem. LGBTfobia, também não aparece.

Veja algumas das propostas apresentadas pelos candidatos para a população LGBT de Maringá:

Humberto Henrique (PT): Formação continuada dos profissionais das redes municipais de educação; sensibilizar e capacitar os profissionais de saúde e assistência social para o atendimento humanizado e respeitoso da população LGBT; implementação de políticas para atendimentos humanizados das pessoas em processo de transexualização; tornar obrigatório o uso do nome social de travestis e transexuais nos serviços públicos de atendimento cotidiano; adotar dispositivos fiscais que garantam a empregabilidade de pessoas transexuais; e criar um sistema de mapeamento de ocorrências homofóbicas no âmbito do município.

Investigador Nilson (PSOL): Criminalização da discriminação contra LGBT; criação de um observatório para monitoramento da violência homofóbica; garantia do direito à autodefinição da identidade de gênero; constitucionalização da proteção às LGBTs e a todas as formas de família; garantia do direito de travestis e transexuais à saúde integral; revisão de políticas públicas de combate ao HIV e DSTs com conscientização e atendimento das LGBTs; implementação do kit “Escola sem Homofobia” e revisão dos materiais já existentes; qualificação dos servidores públicos para o atendimento à população LGBT; e fortalecimento da participação direta das LGBTs.

Priscila Guedes (PSTU): Combate a toda forma de opressão; criminalização da LGBTfobia; aplicação e ampliação da Lei Maria da Penha; colocar a cidade ao serviço da população LGBTs; e Segurança Pública para a população LGBT.

Os candidatos estão em ordem alfabética, de acordo com o site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para divulgação de candidaturas e contas eleitorais.

Convenção oficializa Margot Jung candidata a vereadora de Maringá

Convenção oficializa Margot Jung candidata a vereadora de Maringá

A militante LGBT e feminista Margot Jung foi oficializada candidata a vereadora de Maringá na noite desta sexta-feira (5) na convenção do Partido dos Trabalhadores (PT). A campanha eleitoral começa no dia 16.

“Estou muito feliz pela oficialização da minha candidatura e agora trabalharei para ser eleita e ocupar uma cadeira na Câmara de Vereadores de Maringá”, disse Margot ao Maringay.

Vice-presidente da AMLGBT (Associação Maringaense de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), Margot participou da organização da Parada LGBT de Maringá, Semana Maringaense LGBT, Conferência Regional LGBT, coordena o Grupo de Familiares de LGBT, faz parte da Marcha Mundial de Mulheres, é pedagoga e blogueira.